Lula não desistiu: ele quer ir ao Sambódromo

O ex-presidente Lula não desistiu. Ele ainda pretende ir ao desfile da Gaviões da Fiel que acontecer neste sábado. Ou melhor, já na madrugada de domingo.

Os médicos e dona Marisa têm buscado evitar que o ex-presidente queira forçar a barra, mas este blogue apurou que o PT já teria reservado uma suíte no hotel Hollyday Inn, que fica ao lado do Anhembi, para a eventualidade de o ex-presidente bater o pé e decidir que está bem o suficiente para enfrentar os 50 minutos em sua homenagem.

Se Lula estiver disposto no sábado e os médicos não o proibirem, ele chegaria ao hotel um pouco antes do desfile e de lá só saíria quando o puxador de samba anunciasse que a escola da Gaviões da Fiel iria entrar na passarela. A Gaviões deixaria o carro em que Lula poderia ser a estrela pronto para a ocasião. Se isso vier a ocorrer, Dona Marisa estará ao lado do ex-presidente.

A vontade de Lula de participar é imensa. Quem esteve com ele na semana passada diz que mesmo com dificuldades de fala ele insistia em dizer que “iam se surpreender com a energia dele no Anhembi”.

Kassab subiu no telhado, mas isso é só um detalhe…

Há alguns dias o ex-governador José Serra vem mantendo encontros sistemáticos com Orjan Olsen, presidente da Analítica Consultoria e um dos pesquisadores preferidos do tucanato. Olsen estaria fazendo pesquisas qualitativas em que o nome de Serra é apresentado a grupos de eleitores da cidade de São Paulo para saber quais seriam as possibilidades de uma candidatura dele à prefeitura.

Os resultados não seriam tão desesperadores e Fernando Henrique Cardoso fechou a questão. Serra tem que ser o candidato do PSDB. Ligou para Geraldo Alckmin e pediu ao governador todos os esforços para impedir a realização da prévia do partido marcada para março. E, mais do que isso, pediu garantias de que Serra teria um amplo palanque no primeiro turno. Com o apoio de partidos como PDT e PSB.

Alckmin teria garantido ao ex-presidente que se Serra for candidato não fará jogo duplo. Que o apoiaria sem restrições e que ajudaria a montar uma ampla aliança. Alckmin está negociando com o PSB o apoio a candidatos do partido em São José do Rio Preto e em Campinas. E em relação ao PDT, ofereceria a secretaria do Trabalho para o partido ficar com Serra.

Edir Macedo e o pum do diabo

O texto a seguir foi extraído do blogue do Bispo Edir Macedo e está assinado pelo bispo Renato Cardoso.

“Qual foi o pum mais fedorento, mais podre que você já cheirou? Só de lembrar, você já sente as narinas queimando e faz uma careta? (Espero que não tenha sido um dos seus mesmo, debaixo das cobertas…)

Agora, multiplique aquele cheiro por um milhão, e o que você tem? Você tem o pum do diabo.

E se você estivesse num quarto com o diabo e ele soltasse um pum (o porquê você estaria num quarto com o diabo, eu não sei), o que você faria?

Kassab e a vaia educativa na festa do PT

O PT não é o maior partido político brasileiro à toa. Nele, entre outras coisas, as lideranças nem sempre falam a mesma língua, o que faz com que em muitos momentos para se chegar a uma posição seja necessário um amplo debate.

A última demonstração dessa vitalidade foi a vaia a Kassab na festa dos 32 anos do partido. Engana-se quem acha que a vaia foi da base. Nessa festa estavam apenas os “graduados”. E mesmo com Lula defendendo a tese de que o PT deve fazer um acordo com o prefeito de São Paulo, isso não impediu uma reação que em alguns casos poderia entendida como uma “falta de educação”. Nesse caso não. A vaia foi educativa. Mostrou que  partidos não precisam e não devem ser instituições monolíticas.

Há muitas lideranças do PT em São Paulo (diria que hoje a  maioria) que estão incomodadas com a aproximação que está sendo tentada com o atual prefeito. Mesmo assim Lula tem insistido na tese de que a fissura entre Kassab e o tucanato é a maior oportunidade que o partido já teve para conquistar não só a prefeitura da capital, mas também o governo do estado em 2014.

Bixiga, o velho reduto do samba

Uma dica de um belo texto pra um fim de semana pré-carnavalesco.

Bixiga, o velho reduto do samba

O bairro, berço da Vai-Vai, carrega na história a alegria da música e do carnaval

Por Sâmia Gabriela Teixeira

Quem pensa que o Bixiga é feito só de cantinas italianas e que não há nenhuma relação da cultura italiana com o samba, engana-se. Neste mês da festa mais popular do país, não dá para falar de carnaval em São Paulo sem falar do tradicional bairro paulistano, e da escola de samba Vai-Vai, fundada na região pelos moradores. E, para isso, é importante contar como nasceu essa característica musical.

Caribé, Branco e Samadeu na sensacional dança do #Sopa

Estou sem palavras para comentar o show dado pelo Caribé e o Marcelo Branco com participação do Sérgio Amadeu na Campus Party. Quem quiser levar o espetáculo para sua cidade, o cachê do trio não é exatamente uma fortuna. E toda arrecadação será destinada à luta contra o Sopa, a Pipa e o projeto de Lei de Direitos Autorais do MinC .

Nassif explica o significado político das concessões de aeroportos

Segue um texto do amigo Luis Nassif sobre a concessão dos aeroportos. É uma reflexão com contexto histórico que ajudar a pensar qual deve ser o papel do Estado na sociedade moderna. 


Em toda eleição há bandeiras específicas, imagem de candidatos e partidos que mudam um pouco de evento para evento. Mas em todos os casos, o fio condutor tem sido das grandes ideias que norteiam a economia ocidental.

Há longos períodos de liberalização total da economia, que cria vícios que explodem em uma grande crise, que gera uma reação, um período de maior intervenção do Estado, que gera seus próprios vícios, novas crises, voltando o pêndulo à situação anterior.

No Brasil, os anos 70 e 80 foram marcados por uma estatização sem precedentes da economia brasileira, herança das ideias tenentistas dos anos 20, reforçadas pelo keynesianismo pós-Segunda Guerra e pelo fechamento político do regime militar.

Você precisa conhecer e apoiar o projeto da Matemáquina 3D

O professor Sérgio Amadeu me enviou a indicação de um projeto que está buscando apoio no Catarse, o Matemáquina 3D. É uma baita ideia e com sentido de tecnologia social que precisa ser multiplicado. O objetivo da galera é o de popularizar as impressoras 3D no Brasil. Para isso, eles pretendem produzir máquinas de baixo custo e fáceis de usar. Mais ou mesnos na linha das 2D, que são que a gente usa para imprimir textos e imagens.

As 3D trabalham com plástico derretido e produzem objetos. Ou seja, com uma impressora dessas a pessoa pode ter uma fábrica de pequena escala na sua casa.

Em alguns países elas já deixaram de ser algo restrito à indústria e estão sendo usadas em casas, estúdios e escritórios, Mas no Brasil isso ainda não acontece.

Há diferença entre um programa privatizador e uma privatização pontual, mas…

O Estado brasileiro era tão privatizado nos tempos de FHC que quando Lula assumiu quase todos os funcionários do Ministério do Trabalho eram contratados a partir de empresas terceirizadas. Ou seja, o chip neoliberal estava instalado em todos os cantos do governo. Não era apenas na venda de patrimônio público por moeda podre. O modelo fazia parte de uma visão que considerava que o Estado deveria ser mínimo e fazer o mínimo. E que deveria estar a serviço do capital, se possível internacional.

A concessão dos principais aeroportos do país pelo longo período de até 25 anos pelo governo  Dilma pode ser condenada (e está sendo) pelo seu caráter privatista, mas é diferente do que ocorreu nos tempos tucanos. O Estado brasileiro poucas vezes foi tão atuante e forte quanto no período Lula e Dilma.

Quando o senador Aécio Neves fala que o PT está usando um “software pirata” dos tempos de FHC para fazer um bom governo, sofisma. Quando FHC sai gravando vídeos para defender “a privatização” de Dilma, também busca ludibriar a patuléia. E limpar sua barra.

Banheiro para GLS é apartheid moderno

O vereador Carlos Apolinário, que com todo o carinho só podia mesmo ser do DEM, é autor entre outras coisas do projeto do Dia Municipal do Orgulho Heterossexual, que, pasmem, foi aprovado pelos nobres vereadores paulistanos e felizmente vetado pelo prefeito Gilberto Kassab.
Agora, Apolinário teve uma outra ideia sensacional. Está propondo uma nova lei para São Paulo: a criação de banheiros destinados a gays, lésbicas, bissexuais, travestis e até (vejam bem, até) heterossexuais.
Se for aprovada, a proposta vai valer para shoppings, restaurantes, supermercados e cinemas, por exemplo. Todos esses espaços terão de se “adaptar” e ter um banheiro para esse público.
Em poucas partes do mundo talvez tenha me emocionado tanto quanto no museu do Apartheid, em Joanesburgo, na África do Sul. Ali o visitante tem claro o que é a lógica da segregação já no momento que compra o ingresso. O vendedor divide os casais, os grupos de amigos, as excursões entre negros e brancos. Olha no seu rosto, diz a cor e lhe dá o bilhete que o fará ingressar por uma das duas catracas. A entrada dos brancos e a entrada dos negros.
No museu há vídeos, documentos, fotos etc. que vão dando ainda mais realidade ao que foi a segregação por diferença de cor no país. Os banheiros também eram distintos. Para que não ficasse tão explicita a separação pela cor, as placas nas portas falavam em cidadãos europeus e não europeus. Era a barbárie. Justificada também por aqueles que a defendiam (há vídeos de discursos dos defensores no museu) como instrumento para evitar conflitos.
Na linha do que Apolinário está fazendo ao defender seu projeto. Ele diz que “os direitos de uns não podem ferir os direitos dos outros”. Ou seja, um homossexual quando entra num banheiro que na sua opinião é mais adequado à sua identidade está ferindo o direito alheio. É a justificativa da segregação.
Se alguma mulher achar inconveniente o fato de um homossexual ou travesti estar no banheiro feminino, o problema é ela. Se um homem achar o mesmo, idem. Pessoas assim em geral se incomodam ainda hoje com o fato de a sua empregada usar o “banheiro da família”. E acham que seria o caso de a gente voltar a ter elevadores de serviço apenas para os “serviçais”.
A doença da segregação desse setor da sociedade é que precisa ser curada. E propostas como a de Apolinário apenas a alimentam. A história não pode ser esquecida, como dizem os sul-africanos. Um projeto como esse é o retorno, com disfarce, a um passado horrendo. E isso tornará os homossexuais paulistanos de hoje nos negros sul-africanos de ontem.
Para quem não conhece o Museu do Apartheid, recomendo assistir ao vídeo abaixo produzido pelo Programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil.

Este texto  foi produzido para SPressoSP, um novo site que cujo foco é a cobertura de temas relacionados à cidade de São Paulo. Coloque-o entre os seus favoritos.

Subscribe to RSS Feed