Conexão Minas e Mauá e mais um pouco da história do sigilo

Sugiro que antes de ler esta nota, se leitor ainda não leu a de baixo, faça-o. Decidi iniciar um novo post porque ela estava ficando imensa.

O PT ainda não confirmou, mas o contador Atella foi de fato filiado ao partido. Quando o assunto veio à tona, isso já sido checado, mas por conta de um erro besta (tipo troca de letra no nome de Atella), a busca via computador deu seu nome como inexistente entre os quase 1 milhão de filiados do partido.

De qualquer forma, todos os levantamentos que estão sendo feitos em Mauá não sugerem que ele tenha tido qualquer participação ativa na vida partidária. Isso também não garante que gente do PT esteja completamente fora dessa lambança.

Mas voltarei à trilha que vinha seguindo nas notas anteriores e que já estão sendo investigadas, até onde pude apurar, pela PF. Aliás, um amigo blogueiro me disse que hoje na PF Atella teria revelado quatro nomes no inquérito.

O caso ao que parece teria começado em Minas, de fato, como já indicado aqui. O jornal O Estado de Minas, como já admitido pelo seu próprio diretor de redação em matéria da Folha que divulguei no post anterior, decidiu apurar histórias da privatização.

Os jornalistas contratados para o trabalho foram parar na Assembléia Legislativa de SP, onde vários deputados de oposição têm farto material sobre inúmeras irregularidades do governo tucano.

Ao que tudo indica, o grupo depois de fazer a investigação política, decidiu também fazer “jornalismo investigativo” e teria parado em Mauá. Isso ainda precisa ser confirmado, mas os indícios são fortes.

Nesse momento os passos dessas pessoas já estariam sendo observados de perto por gente ligada ao Palácio dos Bandeirantes, mas precisamente pelo esquema de um deputado federal do partido.

Não se pode avançar muito no assunto, mas registrem que no início dessa cobertura falei que não era improvável que as quebras de sigilo tivessem sido feitas por grupos diferentes. Isso ainda está para se confirmar. Necessariamente quem quebrou o sigilo de Verônica com papéis falsos não foi o mesmo grupo que quebrou a do povo das privatizações usando senhas.

O fato é que esse material teria chegado a quem o havia encomendado em Minas Gerais.

Apenas para registro, Aécio Neves desiste da candidatura em dezembro de 2009. Segundo o diretor do O Estado de Minas, em matéria da Folha que republiquei no post anterior, os jornalistas que faziam a apuração dos “porões das privatizações” saíram do jornal no final do ano, antes de a reportagem ser finalizada. E por isso ela não teria sido publicada.

A história volta à cena com a famosa reunião registrada também na matéria da Folha que republiquei no post abaixo. Destaco alguns trechos em negrito. É importante que o leitor atente aos nomes ali citados.  

O grupo de Serra sabia de tudo que estava acontecendo e na reunião teria infiltrado uma pessoa.Serra também sabia que a relação do PSDB mineiro é muito boa com um grupo do PT mineiro. Não posso avançar mais nessa história.

Mas vale atentar para uma declaração do deputado federal José Aníbal, no Globo de hoje. Ele disse que essa o caso da quebra do sigilo poderia não interferir na eleição presidencial, mas garantiria a de São Paulo.

O fato é que há um silêncio sepulcral em Minas Gerais sobre tudo o que está acontecendo.

Por isso, registro: Mauá é uma parte dessa história. Mas o centro das operações não seria o ABC.

Serra sempre soube disso e pode ter usado uma bala para tentar matar dois coelhos.

Por fim, o Rodrigo Viana revela em seu blogue que Marcio Aith, assessor do Serra, andou procurando o Amaury Ribeiro Jr.

Que já leu trechos do livro “Os porões da privatização” garante que ele é um tiro de canhão. Não tenho dúvida que parte dessas revelações visa, entre outras coisas, desmoralizar esse trabalho. E o seu autor.

Se eu fosse o Amaury e tivesse convicção da qualidade do material que tenho em mãos, disponibilizava o arquivo do livro para download amanhã. Antes que seja tarde.

PS: Estou viajando agora e não vou ter como liberar comentários. Amanhã tentarei dar mais uns telefonemas.

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O quebra-cabeça das quebras de sigilo (terceira parte – atualizada)

Desde ontem, depois de ter colocado a nota onde apontava uma outra trilha a ser seguida pela investigação acerca da quebra de sigilos, passei a receber emails sobre o episódio.

A história ganhou outra proporção e tomarei todos os cuidados para não cometer aqui nenhuma injustiça ou leviandade.

Publicarei o que tenho até para que outros jornalistas possam seguir as novas pistas.

A primeira questão importante e que não está sendo levada em conta é que apesar de as quebras de sigilo terem sido realizadas no ABC, em Mauá e Santo André,  há dois modi operandi distintos.

No caso de Eduardo Jorge, Ricardo Sérgio e os outros envolvidos em casos suspeitos do período das privatizações, a quebra do sigilo foi a partir do uso de senhas. Ou seja, alguém violou o sigilo “por dentro”.

A quebra do sigilo de Verônica Serra se deu com base num documento falso e com a ajuda do contador Atella.

Isso permite imaginar que a ação foi realizada por dois grupos diferentes. Quem sabe que a porta da casa fica aberta, não vai buscar assaltá-la entrando pela lareira.

O primeiro modi operandi é mais profissional. Com acesso a dados internos da receita. Ou seja, quem o utilizou é especializado.

O segundo grupo (que quebrou o sigilo da filha de Serra), mais amador. Que sabendo que naquele posto de Mauá era possível a quebra de sigilo foi buscar nas redondezas alguém pudesse saber como fazê-lo.

E chegou a esse alguém que pode vir a ser o contador Atella ou ainda outra pessoa que o usou como intermediário sem que ele soubesse de fato o que estava fazendo.

Esse método parece mais algo do tipo “investigação jornalística”.

Vai-se ao local e busca-se alguém que saiba como a coisa funciona.

Veja o que o próprio contador acaba de dizer sobre de onde teria sido o pedido da quebra de sigilo de Verônica Serra:

Atella afirmou nesta quinta-feira ao O Estado de S. Paulo um certo Cabral o procurou em setembro de 2009 e lhe encomendou um serviço junto à Receita:

“- a apresentação de um lote de “cerca de 18″ pedidos de obtenção de cópias de declarações de imposto de renda de pessoas físicas. Cabral tinha pressa, conta Atella.
- Ele disse: Ô Atella, os documentos são para um pessoal de Brasília e de Minas, eles estão vindo aí. Tem que ser coisa rápida?

Segunda Parte:

Há uma outra hipótese que não pode ser desprezada. É a de que o sigilo tenha sido quebrado pelo mesmo grupo e que ele tenha aprendido como realizar o crime de forma mais profissional.

Afinal, a quebra de sigilo de Verônica Serra foi realizada no dia 30 de agosto de 2009. A do grupo da privatização, em 8 de outubro de 2009, no mesmo dia, de um mesmo computador e em um período de 15 minutos.

A quebra de sigilo de Verônica se deu em Santo André. A do grupo da Privatização em Mauá.

Em sendo o mesmo grupo os “operadores” aprenderam como realizar o crime deixando menos indícios.

Essa hipótese, porém, não é que está sendo considerada por uma das fontes que me passou parte da história que estou contando aqui. Este blogueiro, porém, não a ignora. Mas antes de continuar nesse assunto, vamos a outro.

Toda a mídia mineira sabe que Aécio Neves considerou o texto do articulista Mauro Chaves, publicado na página 2 de O Estado de S. Paulo, de 28 de fevereiro de 2009, como uma declaração de guerra do grupo de Serra.

O título do artigo era: “Pó, pará, governador?”

Nem Aécio e nem seus aliados consideraram que palavra “pó” tivesse sido utilizada à toa no artigo de Mauro Chaves.

Aliás, Juca Kfouri em entrevista a este blogueiro, quando do episódio da suposta agressão de Aécio à namorada, foi claro acerca da questão.

Não foi só Aécio que sentiu a agressão de Mauro Chaves. Se o leitor leu o texto do articulista  já percebeu que uma boa parte dos tiros foi em direção a imprensa daquele estado.

A imprensa mineira decidiu ir à guerra.

Veja as capas de hoje dos jornais vinculados ao grupo Diarios Associados: O Estado de Minas e O Correio Brasiliense.

Compare ao lado as capas desses jornais com a qualquer outro jornal do país. Agora volte um pouco no texto e veja sobre que locais o contador Atelle atribui o pedio da quebra de sigilo fiscal da filha de Serra.

 

 

 

 

 

 

 

 Terceira Parte

No último 5 de junho o jornal Folha de S. Paulo publicava uma matéria da qual destaco o trecho que segue. Leia com atenção, principalmente as partes destacadas.

“Jornalista e delegado são pivôs de intriga do dossiê

No final da tarde de 20 de abril passado, uma terça-feira, cinco pessoas se reuniram para uma conversa no tradicional restaurante alemão Fritz, na quadra 404 da Asa Sul, em Brasília.

Comandava a mesa Luiz Lanzetta, dono da Lanza Comunicação, empresa responsável pela contratação da maioria dos integrantes da assessoria de imprensa da pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff.

Também estava lá o jornalista Amaury Ribeiro Júnior, que investigou por anos o processo de privatização brasileiro iniciado nos anos do governo FHC (1995-2002).

Completavam a mesa o delegado aposentado da Polícia Federal Onézimo de Souza e dois servidores públicos aposentados da chamada “comunidade de informação”, que trabalham com ele.

O encontro fora marcado por Lanzetta para tentar contratar Onézimo e sua equipe.

A ideia era investigar os funcionários de uma das sedes do comando da campanha dilmista. A demanda incluía averiguar se quem circulava no local mantinha algum tipo de relação com integrantes do PSDB e da campanha tucana a presidente encabeçada por José Serra.

A Folha apurou que Onézimo sugeriu um orçamento de R$ 180 mil para executar o serviço. O valor não foi aprovado pelo QG de Dilma. A conversa resultou inócua, mas o encontro vazou.

Na semana iniciada em 2 de maio, integrantes do PSDB souberam que a campanha de Dilma estaria montando uma equipe de “inteligência” –com o objetivo, deduziram, de espionar Serra.

Pontos obscuros

Aí aparecem pontos de interrogação na rede de intrigas formada na história do suposto dossiê anti-Serra relatado na mídia há uma semana, a partir de uma reportagem da revista “Veja”.

Há pelo menos dois conjuntos de papéis, um com dados sobre aliados de Serra investigados na CPI do Banestado, e outro, com relato de operações fiscais da filha do presidenciável, Verônica.

Há dois aspectos obscuros principais. Primeiro, a real intenção de Lanzetta ao fazer contato com detetives. Segundo, como a informação sobre o encontro entre Lanzetta e o “grupo de inteligência” foi repassada para a imprensa e chegou aos tucanos.

Um terceiro detalhe também não foi esclarecido: por que Ribeiro estava na conversa do dia 20 de abril?

Ele é amigo de Lanzetta. Havia relatado trechos de suas investigações. Os dados começaram a ser coletados pelo jornalista em sua passagem pelo “Estado de Minas”, principal diário mineiro, próximo politicamente do ex-governador Aécio Neves (PSDB-MG).

Lanzetta e Ribeiro dizem que o conteúdo da apuração seria usado na elaboração de um livro e nunca teriam cogitado fazer um dossiê para ser usado na campanha.

A apuração de Ribeiro começou em 2009, depois que Aécio, então ainda um potencial presidenciável, foi alvo de reportagens críticas.

Repórter investigativo com passagens por Folha, “O Globo” e “Jornal do Brasil”, ele foi escalado para apurar eventuais irregularidades relacionadas ao outro presidenciável tucano, Serra.

O resultado das apurações do jornalista nunca foi publicado pelo jornal. “Ele trabalhava em várias investigações. Essa investigação específica não estava concluída quando ele pediu demissão no final de 2009″, diz o diretor de Redação do “Estado de Minas”, Josemar Gimenez.

Depois de deixar o emprego, Ribeiro contou o objeto de suas apurações a Lanzetta. O contratado da campanha de Dilma se interessou pelo assunto. Havia ali um caso potencial para ser usado na disputa presidencial.”

Por fim

Durante o feriado continuarei acompanhando esse caso. Hoje estamos fechando a edição impressa da Revista Fórum e o cansaço é grande. Recebi durante o dia  informações que necessitam de maior apuração. Tenho uma fonte que trabalha com a tese de que o grupo que quebrou o sigilo de Verônica é diferente do que violou o do pessoal da privatização. Ambos seriam do mesmo lado, mas teriam interesses distintos…se é que o leitor me entende. 

Para publicar essa história, porém, preciso de um pouco mais de tempo para checagens. No feriado vou dar uns telefonemas. Mas suspeito que a PF chegue ao fim dessa história nas próximas horas.

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Sigilo foi quebrado em setembro de 2009, auge da disputa Aécio e Serra

O sigilo fiscal de Verônica Serra foi quebrado em setembro de 2009, auge da disputa Serra e Aécio.

O jornal Estado de Minas estaria, neste período, preparando material jornalístico contra o então governador de São Paulo.

Amaury Ribeiro Jr. trabalhou no Estado de Minas e tem anunciado que vai lançar um livro sobre os porões da privatização que atingiria Serra e pessoas do seu grupo político.

Serra teria sido avisado disso.

No começo de novembro a história de que Aécio teria agredido a namorada sai na coluna de Joyce Pascowich, sem que ela desse nome aos bois. Depois no blogue de Juca Kfouri, com nomes e sobrenomes.

O episódio teria acontecido no Copacabana Palace.

Aécio desiste da disputa presidencial em 18 de dezembro.

Esta poderia ser uma linha de apuração para a quebra de sigilo da filha de Serra em setembro de 2009, auge da disputa entre Serra e Aécio.

 PS: Se é caso de aparalhamento de Estado, por que o PT contratou um contador maluco com uma procuração falsa para ter os dados de Verônica Serra? Não seria mais fácil pedir para alguém de confiança da Receita fazer o serviço?

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Paulo Henrique Amorim sente cheiro de golpe. Mônica Serra fala em ditadura

Paulo Henrique Amorim, um dos poucos blogueiros progressistas que viu o Jango cair, sente cheiro de golpe no ar.

Ele avalia que o pedido de cassação da candidatura de Dilma no STF é a tentativa dos tucanos de tentar ganhar a eleição com sete votos.

De fato, o caso da Receita Federal fez com que o discurso dos serristas mudasse. Entre as pérolas que li desde ontem destaco a entrevista quase boçal dada pela esposa do candidato na Folha de hoje.

Ela insinua que o Brasil vive numa ditadura (“Já que as instituições não estão funcionando, vamos admitir que estamos numa ditadura disfarçada.”).

Como a candidatura de Serra chegou ao seu nível mínimo, 25%, os tucanos perceberam que não tem nada mais a perder. E quando a oposição passa a não ter mais nada a perder, o cenário fica perigoso. Paulo Henrique tem razão nesse sentido.

A diferença é que o golpe não interessa a parte significativa das elites. A estabilidade política e econômica tem garantido a uma parcela significativa do empresariado um presente muito interessante e uma boa perspectiva de futuro.

Eles querem que a eleição aconteça sem grandes tremores e riscos. Pra maioria, tanto faz Dilma ou Serra.

Por outro lado, o PIG, alcunha dada por Paulo Henrique à velha mídia, quer sangue. Uma boa parte dos tucanos que não quer ver o partido acabar nesta eleição também.

São esses setores que estão transformando esse caso da Receita (que cheira mais a crime comum de gente que buscava ganhar dinheiro com chantagem) em trama política.

Nos próximos dias a velha mídia, os serristas e alguns blogueiros tresloucados vão gritar muito . Vão fazer de tudo para tentar convencer parte do eleitorado que o Brasil vive numa “ditadura disfarçada”. E vão tentar convencer a dona Maria que ela corre o risco de ter seu sigilo de Imposto de Renda quebrado.

A campanha de Dilma vai ter de ser muita habilidosa. Não é tão difícil mostrar que esse é o grito dos desesperados. Que ao invés de disputar o jogo, os tucanos querem acabar com ele no momento em que estão perdendo de goleada.

O povo entende isso numa boa.

Dilma tem que ser firme, mas não pode se deixar levar pela emoção. Não é hora de transformar a eleição numa guerra. O que  só interessa a quem não tem nada a perder.

Além do que, afora Serra, não creio que os outros atores desse patético teatro estejam querendo virar o jogo da eleição presidencial. A tentativa é a de diminuir o tamanho da derrota e a de impedir que alguns candidatos importantes para eles ao Senado e ao governo de estados não fiquem pelo caminho.

De qualquer forma é bom ficar vigilante. Como diz a música de Jorge Benjor, caldo de galinha não faz mal a ninguém.

Por este motivo o alerta de Paulo Henrique é muito importante.

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Prefeito de Dourados, aliado de Puccinelli, é preso pela PF

A eleição do Mato Grosso do Sul é uma daquelas onde o vale-tudo parece não ter limites. A campanha de André Puccinelli é acusada de usar de todos os meios para intimidar os que decidem apoiar Zeca do PT.

Hoje um dos prefeitos mais importantes do grupo, que administrava a segunda maior cidade do estado depois de Campo Grande, foi preso. Ele, além de 9 dos 12 vereadores.

Puccinelli também é investigado.  É acusado de lavagem de dinheiro quando prefeito de Campo Grande.

O processo não tem caminhado como deveria porque a Assembléia Legislativa do Estado tem sido um escudo importante para que a investigação não avance.

Leia a matéria do iG na sequência.  

PF prende prefeito e nove vereadores em Dourados (MS)

Ari Artuzi (PDT) chefiava esquema que direcionava licitações para beneficiar quadrilha

 Celso Bejarano, iG Campo Grande | 01/09/2010 13:00

O prefeito de Dourados, segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul, Ari Artuzi (PDT) foi preso nesta manhã por chefiar um esquema de fraude em licitações, de acordo com informações da Polícia Federal (PF). Artuzi é uma das mais fortes lideranças de apoio à reeleição de André Puccinelli (PMDB) na região.

Além dele, nove dos 12 vereadores do município também foram detidos – três deles disputam vaga na Assembleia Legislativa. Ao todo, a PF cumpriu 29 mandados de prisão.

Batizada de Operação Uragano (furacão), a investida da PF teve início às 6h e envolveu cerca de 200 policiais federais.

 Nota da PF afirma que Artuzi comandava o esquema de fraudes, que consistia em direcionar os resultados das licitações por meio de corrupção de servidores públicos e políticos.

A quadrilha, segundo a PF, arrecadava 10% dos valores dos contratos firmados com empresas de modo ilícito. O dinheiro iria direto para o bolso do prefeito e dos vereadores.

 Na lista obtida pelos agentes federais aparecem os nomes do presidente da Câmara dos Vereadores de Dourados, Sidlei Alves (DEM) e dos vereadores Marcelo Barros (DEM) e Aurélio Bonatto (PDT).

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Serra, sua filha Verônica, o Jornal Nacional e contador Atella

Acabo de ler na Folha.com a entrevista com o tal contador Antonio Carlos Atella Ferreira que admitiu que levou à Receita Federal uma solicitação para obter cópias das declarações de Imposto de Renda de Verônica Serra.

Também acabo de assistir os 7 ou 8 minutos que o Jornal Nacional dedicou sobre o tema vitimando Serra e dando a entender que ele teria sido vítima de um golpe sujo.

Serra apareceu, inclusive, no JN dizendo que a campanha de Dilma está fazendo com ele o que a de Collor fez com Lula, quando trouxe à tona o caso Mirian-Lurian.

Não há a menor lógica nisso. Dilma tem 51% dos votos, Serra 27% na última pesquisa Ibope. O melhor dos mundos pra Dilma é que não aconteça mais nada de novo daqui até 3 de outubro. Por que sua campanha investigaria a vida de Serra ou de sua filha?

Leia a entrevista abaixo com o contador que assinou a requisição do material de Verônica Serra e veja o que você acha. Eu achei um nojo. Esse senhor não me parece um agente político, mas um tipo comum em certos ambientes. Que ganha dinheiro fazendo qualquer tipo de serviço.

Ele precisa dizer quem o contratou. E na hora que fizer isso pode sair desse mato um coelho. Ou outro bicho, como uma ave de bico. O que não seria nada surpreendente para este blogue.

Folha – Seu nome aparece como procurador da Verônica Serra? Antônio Carlos Atella – Pois é… Estamos dando risada até agora. O que aconteceu? Sei lá, é uma brincadeira de mau gosto. Mas o senhor assinou o documento? Assinei e retirei o documento, mas não assinei como quem pediu o documento. O senhor está dizendo que a assinatura não é sua? Da retirada é. Mas não a de quem solicitou. Mas o senhor não foi procurador da Verônica Serra? Na verdade, não sei se é ou não. Como trabalho para advogados e etc e tal, os motoboys vêm e me entregam… Pediu eu estou tirando. Se o senhor pedir de quem quiser eu tiro. Se o senhor quiser a do senhor… Assinou, mandou para mim eu tiro. E a Receita tem que entregar. A Receita não é nem culpada, coitada. Não estou defendendo, mas a funcionária pega uma solicitação ela tem que cumprir o ato administrativo. Não estou defendendo ninguém, nem conheço a pessoa. Quem pediu a da Verônica Serra? Um cliente que pediu. Não sei quem é, algum advogado do Brasil. Mas o senhor não lembra quem entregou o papel para o senhor? Não lembro. Tenho 42 anos de profissão, tenho clientes de todos os lados, não vou lembrar um caso, o cafezinho que tomei lá atrás, mesmo porque faço de 15 a 20 por dia. Qual é a sua profissão? Contador, com direito a atuar justamente na área.[para para pedir uma água tônica] Como é o seu trabalho? O advogado me manda a procuração, eu vou lá e retiro o documento. Sou um office boy de luxo. Quantas solicitações o senhor faz por dia? Naquela época, que não tinha certificação digital, fazíamos de dez a 12 por dia. Agora caiu porque todo mundo faz, tem senha eletrônica. Para que as pessoas pediam? Para uso de interesse próprio. O senhor mora em Mauá? Não. O senhor tem ligação com algum partido? Não, tenho nojo de política. Mas eu voto no Serra viu? Sou eleitor dele desde que ele nasceu. É filiado a algum partido? Não. Mas agora vou querer ser vereador [risos] Já tem partido? Uma legenda boa para se eleger. Estou vendo que o negócio é bom… O seu nome aparece envolvido no caso do sigilo… Vou tirar proveito. Lembra-se do caso do ‘veado’ costureiro que roubou o cemitério e saiu para deputado federal? Acho que não sou dessa qualidade, mas posso. O senhor responde a processos, em Rondônia, por exemplo. Por que? Conhece algum? Sou advogado, me apresente. No Tribunal de Justiça de Rondônia há quatro, dois em sigilo de Justiça. Maravilha! Mas não sou obrigado a te responder. Sou advogado. O senhor é filiado à OAB de São Paulo? Não, não sou da banda podre. Por que o senhor teve cinco CPFs? Tinha, mas pedi para o delegado da Receita suspender com uma carta de próprio punho e ele deferiu. Já vi que o senhor não é da área, é desinformado. Mas por que o senhor teve tantos CPFs? Por um direito de qualquer cidadão, é a própria Receita. Onde se tira um CPF? Por que tenho dois? Quem me forneceu, foi o senhor? O senhor conhece funcionários da Receita? Conheço todo mundo, inclusive o Mantega, que tem sítio vizinho do meu em São Roque. O senhor já falou com o ministro? Não, não tive o desprazer ainda porque não gosto de política. O senhor conhece o pessoal que trabalha na agência da Receita em Mauá? Conheço no Brasil inteiro. Trabalho na área, pela força de trabalho seria difícil dizer que não conheço nenhuma pessoa que está na mídia, que é notável no momento. Agora é o meu momento de glória, igual foi com a menina da Uniban [Geyse Arruda]. Repetindo, o senhor conhece os funcionários de Mauá? Posso dizer que conheço até o porteiro. O senhor conhece as senhoras Antonia Aparecida dos Santos e Addeilda dos Santos? Não conheço ninguém pessoalmente. Mas já ouviu falar delas? Já, quem é que não sabe. Quem mora em Santo André conhece funcionários do banco, da rua tal… E como é o seu trabalho na Receita? Protocolava, voltava para buscar, assinava a retirada e cumpria meu ato administrativo levando a quem pediu. A senhora Verônica diz que a assinatura dela é falsa. Não é a filha do Serra que fiquei sabendo hoje? Nem sabia que ela tinha filha. Voto nele desde pequenininho. O senhor foi procurador deste documento? Não. Eu retirei esse documento, solicitação de retirada deste documento. Então quem pediu para o senhor retirá-lo? O senhor sabe? Eu não sei quem foi o cidadão… Como eu não sei dos processos que você fala em Rondônia. Estão no nome do senhor. Para quem teve uma fazenda de 900 hectares com certeza tenho uns 40 processos contra alguém e uns quatro se defenderam contra mim. Tive fazendas lá. Não passei lá de avião em aeroporto. Tenho vida pregressa de trabalho, estou acima do bem e do mal. O senhor foi servidor? Não tive o privilégio de ser um vagabundo a mais. O senhor confirma conhece algum político? Já disse que tenho nojo de político. Só gosto do Serra, sou apaixonado pelo debate dele. Aliás, acho que Brasília não é o lugar dele, ele tem que ficar aqui, nasci aqui, sou paulista então quero que ele nunca saia daqui. Quais são os escritórios para quem o senhor trabalha? Diversos, trabalho aqui, no exterior, em todo lugar… onde sou chamado e bem pago. No exterior? Também. Se solicitar vou agora, só depende do honorário. Tem várias empresas brasileiras na África, em Luanda… Minha bateria está acabando, minha bateria está acabando.

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Brasileiro usa mais internet do que vê televisão

Nos debates de comunicação dos quais tenho participado venho continuamente destacando o papel relevante que a internet tem ganhado no ambiente da comunicação.

No início, muitos dos colegas da área desdenhavam os argumentos e pesquisas que apresentava. Felizmente isso tem mudado.

Hoje li uma matéria no iG que é mais um elemento importante para se analisar o comportamento do brasileiro como consumidor de comunicação.

Por Marco Tomazzoni, iG São Paulo 31/08/2010 14:39

A internet virou a forma de entretenimento favorita entre os brasileiros, acabando com o monopólio da televisão. Pelo segundo ano consecutivo, uma pesquisa realizada pela Deloitte no Brasil e em outros quatro países (Estados Unidos, Japão, Alemanha e Reino Unido) mostrou que a web é o passatempo nacional favorito – ao contrário dos estrangeiros, que ainda preferem a TV. O internauta brasileiro gasta em média, por semana, 17 horas assistindo televisão e cerca de 30 horas navegando na internet. (…)

Entre 2000 e 2009, a média de televisores ligados das 18h à meia-noite – o horário nobre da audiência e dos anunciantes – caiu de 66% para 59% e as cinco maiores redes do país perderam juntas 4,3 pontos de audiência.

Enquanto isso, no mesmo período o total de aparelhos utilizados para outras funções – TV a cabo, games, etc – cresceu 91%, de 3,5 para 6,7 pontos. Explosão da web Com relação à internet de alta velocidade, o aumento é exponencial: de 100 mil pontos fixos no início da década para 12,2 milhões em 2010, de acordo com a Associação Brasileira de Telecomunicações. Só no primeiro semestre deste ano, a banda larga móvel, o famoso 3G, teve crescimento de 141%, passando de 4,3 milhões de conexões para 10,4 milhões, uma verdadeira febre entre os usuários.

Leia aqui a completa.

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Serra como um moribundo no Jornal da Globo

É impressionante como José Serra está perdido. Na entrevista que acaba de dar ao Jornal da Globo todos os seus gestos, tom de voz e formas de abordar as questões não remetiam nem à sombra do que já foi José Serra em outras campanhas.

Serra é um ex-candidato a presidência que vai ter que continuar fazendo de conta que está na disputa. E para fazer este papel decorou um texto pobre: “eu acredito na virada, estamos na hora da virada”. Mas uma das sacadas ”sensacionais” dos seus assessores de marketing.

Há quem desconfie, inclusive, que foram contratados pela equipe de Dilma. Não é possível que ao fazer uma favela cenográfica e ao tentar mudar o nome de Serra para Zé este pessoal estivesse de fato tentando melhorar a vida do candidato do PSDB.

Serra também mostrou nessa entrevista que além de perdido está muito nervoso. Ao ser questionado sobre o mensalão do DEM, resolveu protestar contra o fato de que sua filha teria tido o sigilo da sua declaração de Imposto de Renda quebrado.

E para sua indignação tivesse sentido tacou o que tem chamado de “blogues sujos”. Não creio que Serra pensava neste blogueiro e nem neste  cantinho da blogosfera. Primeiro porque o que escreve é fanático por banhos.  Segundo porque aqui nunca se falou da sua filha. Aliás, nem de qualquer outro parente do Zé.

Mas de qualquer maneira de duas uma ou ele usou uma entrevista para a Globo para atacar certos blogues porque os considera uma força importantíssima de comunicação ou porque não aceita ser contrariado em hipótese alguma. E na blogosfera Serra não manda.

Não queria estar na pele de Serra. Neste momento em Brasília (estou por aqui) a discussão é sobre sua imensa responsabilidade no que pode vir a ser o fim antes da hora do PSDB.

Aécio já estaria articulando o pós-Lula. E isso não tem nada a ver com continuar vivendo a vida como um tucano. Mas isso é história para outra nota. Até porque já é tarde.

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Hoje é dia de tuitar contra o AI-5 digital

Caribé e Gilson Sampaio alertaram este blogue que hoje é dia de tuitar contra o AI-5 digital, projeto do já quase ex-senador (porque  não teve nem coragem de candidatar a reeleição) Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Caribé e Gilson explicam melhor abaixo o que há de novo no front.

Mensagem do Caribé:
“Já se vão pelo menos três anos desde que iniciamos a luta contra o projeto de Cibercrimes, o PL84/99 na Câmara ou o AI5 digital como se tornou popularmente conhecido.

Nossa luta fez com que ele ficasse com sua tramitação paralisada na Câmara, e com a promessa do Deputado Julio Semeghini de que ele ficaria congelado até o Marco Civil entrar em pauta. Pela redação final, o Marco Civil servirá de blindagem contra o AI5 digital e também contra o ACTA. Mas parece que a turma da vigilância não anda cumprindo suas promessas:

A mídia continua repetindo o Mantra da Irracionalidade contra a Internet
No dia 05/08/10  O Deputado Pinto Itamaraty do PSDB apresentou parecer favorável ao AI5Digital, ignorando todos os argumentos e movimentos sociais dos últimos três anos.
Seis dias depois aparece uma matéria dizendo que os Deputados buscarão acordo para votar a lei de crimes na Internet.
E agora um evento para lá de esquisito organizado pela revista Decision Report, uma publicação que parece estar à serviço do Azeredo e do vigilantismo, se anuncia para o dia 31/08 com o título oportuno (para o tripé do atraso) de: Crimes Eletrônicos – A urgência da lei. O curioso e que este evento conta com 19 palestrantes para falarem em 2:30h, o que dá um pouco mais de 7 minutos para cada um.
Por estas e por outras que estamos convocando uma blogagem coletiva para o dia 31/08/10, justamente no dia do tal evento à serviço do Azeredo e do AI5digital, vamos fazer uma blogagem coletiva contra o AI5Digital para lembrar a todos que queremos a Internet como um espaço livre e democrático!!!

Conto desde ja com sua colaboração, não so fazendo um post e linkando para a página convocatória como também ajudando a divulgar para que esta seja a maior blogagem coletiva contra o AI5 digital de todos os tempos, superando a primeira que colecionou mais de 180 posts.

Vamos a luta, dar um Mega Não ao AI5digital!”

João Carlos Caribé
Publicitário e Consultor de mídias sociais
caribe@entropia.blog.br

E a mensagem do Gilson Sampaio:

“Rovai,
Dá uma força neste assunto. O AI-5 Digital do sabujo Eduardo Azeredo está em andamento.
Veja aqui, no SOA (Sociedade Amigos da TV Brasil)

ou aqui.

Temos que ficarmos atentos pois por conta das eleições muitas canalhices podem ser perpetradas.”

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Aécio, Mercadante e o futuro de PT e PSDB

São Paulo e Minas são os dois maiores colégios eleitorais do país. Nada de novo no front. A questão é que o jogo que se joga nesses estados na atual eleição vai determinar em boa medida as duas ou três próximas disputas presidenciais.

Aécio Neves tem tudo para se tornar o herdeiro do PSDB. Seu candidato a governador já teria ultrapassado Hélio Costa, segundo a última pesquisa Ibope. Isso numa eleição que dificilmente terá segundo turno, já que os outros concorrentes são eleitoralmente inexpressivos.

Ou seja, Aécio pode eleger seu poste já em 3 de outubro. E ainda se eleger senador, levando a tiracolo para o Senado seu companheiro de chapa, o ex-presidente Itamar Franco.

Se isso vier a ocorrer, Lula poderá ter cometido seu grande erro político dessas eleições em Minas Gerais. Com dois candidatos da base no estado, muito provavelmente haveria segundo turno.

Mas talvez o nome do jogo para o futuro das próximas eleições, por incrível que pareça, não seja o de Aécio Neves, mas o de Aloísio Mercadante.

Mercadante tem chances reais de derrotar Alckmin em São Paulo. Pela última pesquisa Ibope está com 23%. Nessa mesma época, contra Serra, em 2006, tinha 16%. Terminou a eleição com 32%. Com aloprados e tudo o mais.

Fazer esse tipo de conta é algo meio amalucado, mas, noves fora, em 35 dias Mercadante dobrou de tamanho há quatro anos. Se isso acontecer agora, poderia chegar a 46%.

Não precisa de tudo isso para ir bem posicionado para o segundo turno. Batendo em 40%, a disputa será pau a pau com Alckmin.

A eleição de Mercadante em São Paulo mexeria com todas as cartas das futuras eleições presidenciais. Entre outras coisas, por exemplo, porque poderia levar Aécio a rumar com a sua turma para o PMDB, já que a aliança demo-tucana se tornaria algo inexpressivo para quem deseja ser presidente da República.

A eleição que definirá o futuro de tucanos e petistas para os próximos anos não é mais a presidencial. É a disputa estadual, fundamentalmente as que acontecem em São Paulo e Minas Gerais. E a mídia tucana já se apercebeu disso. E mudou seu foco.

Serra foi cristianizado, mas não em detrimento de outro candidato que dispute o mesmo cargo que o seu. Foi cristianizado para que projetos estaduais não sejam tsunamisados pela onda vermelha. O que ainda pode vir a acontecer. Transformando Mercadante no maior beneficiário desse fenômeno.

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